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  • Os cuidados essenciais que toda mãe solo precisa ter para se proteger juridicamente

    Os cuidados essenciais que toda mãe solo precisa ter para se proteger juridicamente Muitos dizem que ser mãe é uma vocação, que a mulher carrega uma força absurda nesse papel. Mas ser mãe também significa assumir uma responsabilidade redobrada. Além dos compromissos pessoais e profissionais, passa a existir um compromisso permanente com o filho — muitas vezes, doando a própria vida em prol do bem-estar dele. Ninguém duvida da importância de uma mãe. Porém, quando ela precisa cuidar do filho sozinha, muitas vezes com apoio apenas da família materna, algumas decisões — mesmo bem-intencionadas — podem trazer consequências inesperadas se não forem tomadas da forma correta. Ser mãe solo é uma jornada desafiadora. E é exatamente sobre isso que este artigo trata: os principais cuidados que toda mãe solo precisa ter para evitar problemas jurídicos sem perceber. Cuidados Essenciais que Toda Mãe Solo Precisa Ter Dentre os vários desafios enfrentados diariamente, existem alguns Cuidados Essenciais que Toda Mãe Solo Precisa Ter  para não se prejudicar juridicamente sem perceber. Vamos detalhar quatro pontos principais: convivência, mudança de cidade, comunicação com o pai e pensão alimentícia. 1. Convivência não depende da pensão O pai tem o direito de conviver com o filho — e, mais do que isso, é também um direito do próprio filho conviver com o pai . O que muitas vezes acontece é que, diante de atrasos ou falta de pagamento da pensão (seja por ausência de formalização ou descumprimento de decisão judicial), algumas mães entendem que podem impedir as visitas, elas dizem  “ele não paga, então não precisa ver meu filho”. Esse sentimento é natural: a frustração e a preocupação com o sustento do filho são enormes. ❌ Mas, essa atitude é perigosa. Além de não resolver o problema financeiro, pode trazer sérias consequências para a mãe, que corre o risco de ser acusada de alienação parental . ✅ O caminho correto é buscar a via legal: formalizar a pensão (se ainda não houver decisão) ou executar os valores em atraso . Assim, você protege seu filho e evita riscos jurídicos para si mesma. Lembre-se: pensão e convivência são coisas diferentes. Garantir o direito do filho de conviver com o pai não impede que você busque seus direitos financeiros. Leia também: Como entrar com pedido de pensão alimentícia: Passo a Passo Completo 2. Mudança de cidade exige o procedimento correto Mesmo que a mãe tenha a guarda unilateral, a mudança de cidade do filho precisa de autorização do pai . Isso porque o direito de convivência da criança deve ser preservado. Aqui, o ponto central não é a vida da mãe, mas sim a vida do filho. ❌ Mudar de cidade sem autorização do pai ou sem decisão judicial pode gerar alegações de alienação parental e trazer sérias consequências jurídicas. ✅ O caminho correto é solicitar autorização expressa do pai. Caso não haja acordo, é preciso ingressar com uma ação de suprimento de outorga , em que o juiz analisará os motivos da mudança (oportunidade de emprego, proximidade da família, melhores condições de vida etc.) e decidirá se autoriza. Planejar a transição e comunicar o outro genitor não é fraqueza, mas sim uma forma de proteger você e seu filho. Essa comunicação evita conflitos futuros e garante que todas as mudanças sejam seguras e legais. 3. Comunicação com o pai deve ser preservada Cortar totalmente o contato com o pai do seu filho pode parecer a solução mais fácil, mas na prática isso pode gerar problemas tanto para você quanto para a criança. É natural sentir raiva ou frustração em algumas situações, mas impedir a comunicação pode ser interpretado pela Justiça como uma tentativa de afastar o pai, e isso pode trazer complicações legais. Isso não significa que a mãe precise manter conversas constantes com o pai ou ter seu número salvo no WhatsApp. O importante é garantir que exista algum meio pelo qual seu filho possa manter contato com ele , seja por você, por familiares ou outro responsável de confiança. ❌ Bloquear contatos, esconder endereço ou simplesmente não responder mensagens pode ser interpretado como tentativa de afastar o pai do convívio com o filho. ✅ O caminho correto é manter algum canal de comunicação aberto para que o filho possa falar com o pai, sempre respeitando os limites de segurança da mãe. Em casos de violência doméstica , a orientação é buscar medidas protetivas e garantir que a comunicação se dê de forma segura e legal. 4. Pensão vai além do valor mensal Muitas mães, por receio ou por acreditarem que estão “pedindo um favor”, deixam de formalizar judicialmente a pensão. Isso é um erro. A pensão não é uma benesse do pai, mas sim um direito do filho e um dever legal de ambos os genitores . ❌ Aceitar pagamentos informais, sem acordo ou decisão judicial, geralmente faz com que o pai pague valores aleatórios e insuficientes, sobrecarregando a mãe. ✅ O caminho correto é formalizar judicialmente  um valor justo, que leve em conta despesas como alimentação, vestuário, lazer, 13º salário, férias, mensalidade escolar, plano de saúde e atividades extracurriculares, quando necessário. Assim, a responsabilidade é dividida e o sustento do filho fica assegurado. Formalizar não é falta de confiança ou “pedir demais” — é uma forma de proteger a família e garantir que todas as necessidades da criança sejam atendidas. Conclusão Esses são apenas alguns dos cuidados que uma mãe solo precisa ter para se proteger juridicamente e evitar dores de cabeça no futuro. Ser mãe solo é uma caminhada cheia de desafios, mas você não precisa enfrentá-la desprotegida. Conhecer seus direitos e agir da forma correta é a melhor maneira de garantir segurança para você e, acima de tudo, para o seu filho. Informe-se. Busque orientação jurídica. Não tome decisões por impulso. Proteger juridicamente a sua história é também proteger a infância do seu filho — e isso é o que realmente importa. Erros que mães solo cometem sem perceber (e como evitar)

  • Divórcio Judicial: quando o fim do casamento precisa passar pelo Judiciário e como funciona

    Divórcio Judicial: quando o fim do casamento precisa passar pelo Judiciário e como funciona Nem todo divórcio pode ser resolvido em cartório. Em muitas situações, o caminho obrigatório é o Poder Judiciário. O divórcio judicial  pode ocorrer tanto de forma consensual  (quando há acordo entre o casal) quanto litigiosa  (quando há conflitos ou desacordo). Saiba mais: Divórcio no cartório: como funciona o divórcio extrajudicial A seguir, você entenderá como cada modalidade funciona na prática. Divórcio Judicial Consensual Ocorre quando o casal concorda com a separação  e também chega a um acordo sobre todos os pontos envolvidos , como partilha de bens, guarda dos filhos e pensão alimentícia. No entanto, mesmo com consenso, esse tipo de divórcio precisa passar pelo Judiciário quando há filhos menores ou incapazes, quando não possa ser pelo extrajudicial. O procedimento é regido pelo art. 731 do Código de Processo Civil e tramita como jurisdição voluntária, sendo mais simples e rápido. A petição inicial deve conter: A descrição e partilha dos bens comuns; O valor da pensão alimentícia entre os cônjuges (se houver); A definição da guarda dos filhos e o regime de convivência; O valor da contribuição para criação e educação dos filhos. Documentos necessários: Certidão de casamento atualizada; Pacto antenupcial, se houver; Certidões de nascimento dos filhos; Matrículas dos imóveis a serem partilhados, se for o caso. Sentença: Após a análise do pedido, o juiz homologa o acordo . Com o trânsito em julgado , é possível averbar o divórcio no cartório de registro civil. Se houver imóveis, também será feito o registro nos respectivos cartórios de imóveis. Divórcio Judicial Litigioso Essa é a modalidade usada quando não há acordo entre os cônjuges  — seja sobre o divórcio em si, sobre os bens, os filhos, ou qualquer outro ponto. É regido pelos arts. 693 a 699 do Código de Processo Civil. Como funciona o procedimento? Petição Inicial Citação e Intimação do réu para conhecer da ação e comparecer na audiência designada Audiência de Conciliação/Mediação: O réu será citado apenas para comparecer à audiência. Se houver acordo, o processo pode terminar ali. Resposta do Réu: Se não houver acordo, o réu terá 15 dias para apresentar contestação , contados da data da audiência (art. 335, I, CPC). Fase de Instrução (se necessária): A instrução só ocorre se houver outros pedidos além do divórcio , como partilha de bens, discussão sobre data da separação de fato, pensão, fraude, entre outros. Sentença e Averbação: Transitada em julgado a decisão, é expedido o mandado de averbação do divórcio  para o cartório de registro civil. Importante saber! O divórcio é um direito potestativo , ou seja, ninguém é obrigado a permanecer casado. Ainda que existam conflitos, ninguém pode impedir o outro de se divorciar . As discussões acessórias (guarda, alimentos, partilha) podem prolongar o processo, mas não impedem a decretação do divórcio em si . Saiba mais: Como funciona o Divórcio no Brasil e quais são seus direitos ? Assista o vídeo do canal do Youtube sobre o tema:

  • Contrato de Namoro: segurança jurídica para quem ainda não quer constituir família

    Contrato de Namoro: segurança jurídica para quem ainda não quer constituir família Quando um casal decide se unir, é natural que surjam planos para o futuro. Alguns pensam em casamento, outros em união estável — mas há quem prefira apenas viver o presente, com leveza e sem compromisso formal de constituir família. É exatamente nesses casos que o contrato de namoro  pode ser uma excelente escolha. Trata-se de um documento firmado entre duas pessoas que estão em um relacionamento afetivo , mas que deixam claro, de forma expressa, que não têm a intenção de formar uma união estável naquele momento . Esse contrato tem como principal objetivo evitar confusões jurídicas no futuro , especialmente relacionadas à partilha de bens  ou à alegação indevida de existência de união estável. Por que fazer um contrato de namoro? O contrato de namoro funciona como uma espécie de “registro” da vontade do casal naquele momento: estão juntos, sim, mas apenas como namorados. Essa distinção pode evitar conflitos futuros , principalmente se o relacionamento chegar ao fim e uma das partes alegar direitos que somente existiriam em uma união estável. Tem validade jurídica? Sim — desde que feito com clareza, livremente e, de preferência, com orientação jurídica , o contrato é válido e útil como meio de prova. Ainda que não impeça o reconhecimento de união estável , caso ela de fato exista, o contrato de namoro serve como prova importante da intenção das partes . E mais: ele delimita um marco temporal  — ou seja, declara que até aquela data o relacionamento era apenas um namoro. Se houver mudança futura na natureza da relação, será necessário um novo olhar jurídico.

  • Tutela de Menores: Entenda como funciona a proteção legal para crianças e adolescentes sem pais presentes

    Tutela de Menores: Entenda como funciona a proteção legal para crianças e adolescentes sem pais presentes A tutela é uma importante medida de proteção prevista no ordenamento jurídico brasileiro. Ela garante cuidado, assistência e representação legal a crianças e adolescentes que, por diferentes motivos, estão desprovidos do poder familiar de seus pais. Neste artigo, você vai entender o que é tutela, quando ela é aplicada, quem pode ser tutor e quais são os direitos e deveres envolvidos. O que é tutela? A palavra “tutela” vem do latim tutela , que significa proteção ou defesa. No Direito Civil brasileiro, a tutela é o instituto que confere a uma pessoa (o tutor) o dever de cuidar, educar e administrar os bens de um menor que não esteja sob o poder familiar dos pais , seja porque faleceram, sejam incapazes ou estejam ausentes. A tutela de menores, portanto, é uma medida excepcional, voltada exclusivamente à proteção de crianças e adolescentes que se encontram em situação de vulnerabilidade familiar. Quando a tutela de menores é aplicada? A tutela é cabível nos seguintes casos (art. 1.728 CC) : Falecimento dos pais ou julgados ausentes; Perda do poder familiar. Nessas situações, é preciso garantir à criança ou adolescente um responsável legal que possa exercer os atos civis em seu nome e zelar por sua integridade física, moral, educacional e patrimonial. Tutela não é o mesmo que poder familiar É importante destacar que a tutela não se confunde com o poder familiar . Este é exercido pelos pais biológicos, socioafetivos ou adotivos enquanto estiverem vivos e aptos. Já a tutela ocorre na ausência desse poder, sendo regida por regras específicas e com limitações legais. Por exemplo, o tutor não possui o dever de afetividade previsto para os pais e também não pode usufruir dos bens da criança ou adolescente, exceto na forma da lei, para sustento, educação e administração do patrimônio do tutelado. Quem pode ser tutor? Existem três formas de instituição da tutela: 1. Tutela documental ou testamentária (pelos pais) É quando os próprios pais, por testamento ou documento público ou particular, indicam quem deverá ser o tutor de seus filhos menores em caso de morte (art. 1.729 CC). Para que essa nomeação seja válida, os pais devem estar no exercício do poder familiar no momento da nomeação. Se já tiverem perdido esse poder, a nomeação é nula (art. 1.730 CC). 2. Tutela legítima (por ordem legal) Na ausência de nomeação pelos pais, a lei estabelece uma ordem de preferência entre os parentes: Ascendentes (avós, bisavós) , com prioridade ao grau mais próximo; Colaterais até o 3º grau (irmãos, tios e sobrinhos) , com preferência o grau mais próximo, sendo o mais velho entre os de mesmo grau. Mesmo com essa ordem, o juiz avaliará a aptidão da pessoa para exercer a função de tutor, sempre considerando o melhor interesse da criança ou adolescente. 3. Tutela dativa (pelo juiz) Quando não há nomeação válida pelos pais nem parentes habilitados pela lei, o juiz poderá nomear um tutor (tutela dativa) ou incluir a criança/adolescente em programa de colocação familiar , conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Quem não pode ser tutor? Nem toda pessoa pode assumir a tutela de uma criança ou adolescente. A lei brasileira, por meio do art. 1.735 do Código Civil, estabelece critérios rigorosos para garantir que o tutor seja alguém confiável e capaz de exercer essa função com responsabilidade. Veja quem não pode ser tutor  — e será afastado da tutela, caso a esteja exercendo: Pessoas que não têm a livre administração de seus próprios bens , como interditados ou falidos; Aqueles que tenham conflito de interesses com o menor , ou estejam obrigados contra ele (por exemplo, quem deve dinheiro ao menor, ou precisa entrar com processo contra ele); Quem é inimigo declarado da criança ou de seus pais , ou tenha sido expressamente excluído da tutela pelos pais; Condenados por crimes graves , como furto, roubo, estelionato, falsidade, crimes contra a família ou contra os costumes — ainda que já tenham cumprido pena; Pessoas com mau comportamento , reputação duvidosa, histórico de desonestidade ou que tenham abusado da função de tutor anteriormente; Quem ocupa cargo público incompatível com a administração da tutela , especialmente se o acúmulo das funções puder comprometer os cuidados devidos ao tutelado. Essas restrições existem para preservar o interesse da criança ou adolescente, garantindo que a tutela seja exercida por alguém idôneo, imparcial e comprometido com o bem-estar do menor. Quais são os deveres do tutor? O tutor é responsável não apenas pela administração dos bens da criança ou adolescente tutelado, mas também por garantir sua proteção pessoal, educação e bem-estar. Esses deveres estão claramente definidos nos artigos 1.740 e 1.741 do Código Civil, e devem ser exercidos com zelo, boa-fé e sob fiscalização judicial. Deveres em relação à pessoa do tutelado: De acordo com o art. 1.740 do Código Civil, o tutor tem as seguintes obrigações: Dirigir a educação  do menor, promovendo seu desenvolvimento intelectual, emocional e social; Defendê-lo sempre que necessário , inclusive juridicamente; Prestar-lhe alimentos , de acordo com as possibilidades e condição econômica do tutelado; Solicitar providências ao juiz , caso o menor precise de correção ou medida especial de proteção; Cumprir os deveres que normalmente caberiam aos pais , ouvindo a opinião do menor, quando ele já tiver completado 12 anos . Deveres em relação aos bens do tutelado: Conforme o art. 1.741 do Código Civil, o tutor deve: Administrar os bens do tutelado com responsabilidade , sempre em benefício deste; Agir com zelo, transparência e boa-fé ; Submeter-se à fiscalização do juiz , especialmente em atos que envolvam movimentação patrimonial relevante; Prestar contas  da gestão patrimonial de forma periódica, como exigido por lei. Devendo ser feita ao final de cada biênio (a cada dois anos) ou sempre que exigido pelo juiz. Esses deveres têm como objetivo assegurar que o tutor atue com responsabilidade tanto na vida pessoal quanto financeira do tutelado, sempre com foco na proteção integral da criança ou adolescente. Quando a tutela termina? A tutela não é uma relação permanente . Ela se encerra quando deixa de ser necessária ou viável, conforme estabelecem os artigos 1.764 e 1.765 do Código Civil. A tutela cessa nos seguintes casos: Maioridade  do tutelado (18 anos completos); Emancipação legal , quando o menor adquire capacidade civil antes dos 18; Adoção  ou reconhecimento por outra família , com nova configuração jurídica e afetiva; Prazo legal de exercício da tutela , que é de dois anos  (art. 1.765), salvo se o tutor desejar continuar e o juiz considerar essa continuidade benéfica ao menor; Escusa legítima , quando o tutor comprova motivo justo para não exercer mais a função; Remoção judicial , nos casos de negligência, abuso, inidoneidade ou conflito de interesses. A cessação da tutela é sempre analisada pelo juiz, com base no melhor interesse da criança ou adolescente. Conclusão A tutela é uma importante ferramenta jurídica de proteção à infância e adolescência. Ela garante que crianças e adolescentes desprovidos de cuidados parentais possam contar com um responsável legal que zela por seus direitos e bem-estar. Se você está diante de uma situação que envolve tutela de menor, é fundamental buscar orientação jurídica qualificada. Cada caso exige análise individualizada, sempre com foco no melhor interesse da criança ou adolescente.

  • Holding familiar: O que é e como pode proteger sua família?

    Holding familiar: O que é e como pode proteger sua família? Já pensou em uma forma de evitar o demorado inventário, proteger seus bens e ainda prevenir brigas entre seus filhos no futuro? É exatamente isso que o planejamento sucessório com holding familiar pode oferecer. Nos últimos tempos, tem-se falado bastante sobre planejamento patrimonial e sucessório — e com razão. Cada vez mais pessoas buscam formas de proteger seu patrimônio, evitar a burocracia de um inventário e, principalmente, prevenir conflitos familiares. Nesse contexto, um termo passou a ganhar destaque: holding familiar . Neste artigo, explico o que é essa alternativa de planejamento e quais são suas principais vantagens e desvantagens. O que é uma holding familiar? O termo "holding" vem da ideia de uma empresa que controla outras empresas ou administra bens e ativos . Ou seja, uma holding é uma pessoa jurídica criada justamente para centralizar a administração do patrimônio, como imóveis, participações societárias, ações e valores financeiros. A holding familiar, especificamente, é constituída para organizar o patrimônio de uma família , facilitando sua gestão e possibilitando um planejamento sucessório mais eficiente. O amparo legal encontra-se no art. 2º, §3º da Lei nº 6.404/76  — conhecida como Lei das Sociedades por Ações. Art. 2º § 3º da Lei 6.404/76. A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiar-se de incentivos fiscais. Como funciona? O processo começa com a transferência dos bens (por exemplo, feita pelos pais) para essa pessoa jurídica recém-criada — a holding familiar . A partir daí, a empresa se torna a titular do patrimônio. Importante: é necessário verificar o regime de bens do casal para saber se há necessidade de anuência do cônjuge. Quem realiza a transferência pode continuar como acionista ou sócio majoritário, enquanto os herdeiros se tornam quotistas ou acionistas, conforme a estrutura da empresa (sociedade limitada ou anônima). Essa transferência pode ocorrer, por exemplo, por meio de doação. Na prática, os bens que antes pertenciam à pessoa física são transformados em cotas ou ações da empresa. E mais: é possível incluir cláusulas protetivas como usufruto, reversão, impenhorabilidade, entre outras. 💡Exemplo: Imagine que Carlos e Marta possuem três imóveis e dois filhos. Eles constituem uma holding familiar e transferem os imóveis para a empresa. João e Maria ficam como sócios majoritários com cláusula de usufruto, e os filhos passam a ter cotas da empresa. Por que a holding é tão utilizada em casos de herança? Com o falecimento de uma pessoa, há a transmissão automática da herança, mas a regularização dos bens exige inventário , que pode ser custoso, demorado e muitas vezes acompanhado de conflitos entre os herdeiros — especialmente quando há muitos bens ou muitos herdeiros envolvidos. A holding familiar se destaca como uma alternativa eficiente de planejamento sucessório , pois permite organizar previamente o destino dos bens. Como o patrimônio já está sob a titularidade da empresa e os herdeiros já detêm suas quotas, o processo de transição se torna mais ágil, econômico e previsível. Além disso, a estrutura pode ser ajustada conforme os objetivos da família, havendo tipos diferentes de holding, como: Holding patrimonial: voltada à centralização e administração dos bens; Holding pura: criada exclusivamente para controlar outras empresas; Holding mista: além de controlar empresas, exerce alguma atividade empresarial própria. Passo a passo da criação da holding familiar 1. Levantamento do patrimônio O primeiro passo é identificar todos os bens da família: imóveis, participações em empresas, investimentos, veículos etc. É importante saber o valor de cada bem , sua utilidade, se gera renda, se é fácil de vender e quais os impactos fiscais  envolvidos. 2. Escolha dos sócios Decida quem fará parte da holding: normalmente pais e filhos. Defina quem terá poder de decisão, quem será apenas cotista, e pense desde já em como funcionará a sucessão  (ex.: doação com usufruto). 3. Escolha do tipo de empresa A holding pode ser: Ltda. : mais simples, ideal para famílias menores. S.A. : mais complexa, usada em patrimônios maiores. Também é preciso definir o objeto social  (participações ou também administração de bens) e escolher o regime tributário  com apoio de contador. 4. Elaboração do contrato social O contrato da holding define como tudo vai funcionar: Quem administra, Como será a divisão de lucros, O que acontece se um sócio sair ou falecer, Regras para venda de bens e entrada de novos sócios. Esse contrato precisa ser claro, bem pensado e feito com ajuda especializada. 5. Registro da empresa Com o contrato pronto, a holding é registrada: Na Junta Comercial do Estado; Obtenção do CNPJ ; Abertura de conta bancária e cadastro em órgãos necessários. 6. Transferência dos bens Depois que a empresa está criada, os bens são transferidos para ela: imóveis, quotas de outras empresas, aplicações etc. Essa etapa exige atenção para evitar impostos desnecessários e deve ser feita com suporte jurídico e contábil. 7. Gestão e manutenção A holding precisa ser bem administrada: Contabilidade regular; Reuniões para tomada de decisões; Controle de documentos e planejamento fiscal atualizado. Quais são as vantagens da holding familiar? Se bem estruturada, a holding familiar pode trazer uma série de benefícios: Planejamento sucessório eficiente : permite a organização prévia da sucessão, evitando o inventário judicial e seus custos elevados. Redução de conflitos familiares : com regras bem definidas no contrato social ou estatuto, evita disputas entre herdeiros. Proteção patrimonial : os bens da holding não respondem por dívidas pessoais dos sócios, criando uma camada extra de proteção. Economia fiscal : pode reduzir a carga tributária em algumas situações, como no pagamento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), dependendo da forma como o planejamento é feito. Facilidade de gestão : a centralização patrimonial facilita a administração dos bens da família. Continuidade e desenvolvimento de negócios familiares , quando há empresas envolvidas. E as desvantagens? Apesar de suas vantagens, a holding familiar não é indicada para todos os casos. É preciso analisar cuidadosamente o perfil da família, o tipo e volume de patrimônio, bem como os objetivos pretendidos. Entre as desvantagens, podemos citar: Perda de benefícios fiscais da pessoa física , como isenções no Imposto de Renda sobre a venda de imóveis. Custo inicial com a constituição da empresa  e necessidade de acompanhamento contábil e jurídico contínuo. Excesso de burocracia , se não houver uma estrutura clara e bem definida. Conclusão A holding familiar pode ser uma excelente ferramenta de planejamento patrimonial e sucessório, mas não é uma solução padrão. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Antes de tomar qualquer decisão, procure a orientação de um(a) advogado(a) especializado(a), que poderá analisar o perfil da família, os bens envolvidos e os objetivos desejados — indicando, inclusive, se outras estratégias, como testamentos ou doações com cláusulas, podem ser mais adequadas. Planeje com segurança o futuro do seu patrimônio e da sua família. O cuidado hoje evita problemas amanhã. Informar-se é o primeiro passo para tomar decisões conscientes. Ainda tem alguma dúvida sobre o artigo?

  • Guia Completo do Casamento Civil: Documentos, Valores, Prazos e Etapas

    Guia Completo do Casamento Civil: Documentos, Valores, Prazos e Etapas O casamento é um momento muito esperado por muitos casais. Mas, antes da cerimônia, seja ela simples ou luxuosa, existe um trâmite obrigatório e essencial: o casamento civil . É por meio dele que a união ganha validade jurídica e produz efeitos legais. Se você pretende se casar no civil e não sabe por onde começar, este guia completo vai te mostrar todos os passos, documentos, prazos, valores e cuidados necessários para realizar o casamento no cartório, de forma legal e tranquila. O Que É o Casamento Civil? O casamento civil é o ato jurídico solene  que une duas pessoas, formando uma família perante o Estado. Ele é regido pelo Código Civil Brasileiro e pode ser celebrado no cartório ou fora dele, desde que cumpridos todos os requisitos legais. É através do casamento civil que o casal adquire uma série de direitos e deveres recíprocos , como o dever de fidelidade, coabitação, mútua assistência e partilha de bens, conforme o regime escolhido . Leia também: Casamento Civil e Religioso: Entenda as diferenças e efeitos legais Pré-atendimento do Cartório Por causa da internet, é possível realizar um pré-atendimento de forma eletrônica antes da comparecer ao cartório a fim de agilizar os trâmites presenciais, já informando os dados relevantes. Verifique se o cartório comporta esse atendimento. Saiba mais: Pré atendimento pelo Registro Civil Início do Processo: A Habilitação para o Casamento O primeiro passo para se casar no civil é o processo de habilitação. Ele deve ser iniciado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais  do domicílio de um dos noivos. Finalidade da habilitação: Verificar se os noivos atendem aos requisitos legais; Certificar que não há impedimentos matrimoniais  (art. 1.521 do Código Civil); Avaliar se não existem causas suspensivas  (art. 1.523 do Código Civil); Dar publicidade  ao processo por meio da publicação dos proclamas (editais). Importante: Se os noivos residirem em cidades ou distritos diferentes, o processo pode ser feito em qualquer um dos cartórios, mas os editais deverão ser afixados em ambos os locais. Após a afixação, é necessário aguardar 15 dias  para a expedição da certidão de habilitação , válida por 90 dias . Após esse prazo, ela perde a validade e todo o processo deverá ser refeito. Documentos Necessários para a Habilitação Os documentos exigidos podem variar um pouco de cartório para cartório, mas em geral são: Documento de identidade oficial com foto  (RG, CNH, passaporte etc.); Certidão de nascimento atualizada  (ou de casamento com averbação do divórcio ou certidão de óbito, se for o caso); Comprovante de residência ; Declaração de duas testemunhas maiores de idade  (parentes ou não), afirmando que conhecem os noivos e que não há impedimento para o casamento; Autorização dos pais ou responsável legal , no caso de menores entre 16 e 18 anos; Declaração do estado civil e domicílio  dos noivos e de seus pais (se conhecidos) — chamada de “memorial”; Certidões específicas , em caso de divórcio ou viuvez (sentença de divórcio averbada ou certidão de óbito do cônjuge anterior). Em seguida: Celebração do Casamento: Como Funciona? Após a habilitação, os noivos devem requerer a celebração do casamento  indicando o dia, hora e local da cerimônia. A celebração pode ocorrer: No cartório ; Em local público ou particular  (como clubes, igrejas, salões ou residências), desde que haja consentimento do juiz de paz e acesso público, para garantir a publicidade do ato. Leia também: Casamento Civil e Religioso: Entenda as diferenças e efeitos legais Requisitos no dia do casamento: Presença dos dois noivos (ou procurador especial); Duas testemunhas maiores de idade; Autoridade celebrante (juiz de paz ou juiz de direito); Manifestação clara e inequívoca da vontade dos noivos; Solenidade com a declaração oficial: “De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vós receber-lhes por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados.” ⚠️ Atenção : Brincadeiras, negativas ou silêncio podem levar à suspensão da cerimônia. Por fim: Registro e Certidão de Casamento Após a cerimônia, o casamento será lavrado em livro próprio do cartório e será emitida a Certidão de Casamento , documento oficial que comprova a união e será usado em várias situações legais (como mudança de nome, inclusão em planos, etc.). Dúvidas Frequentes Casamentos Urgentes: Quando é possível dispensar os proclamas? É possível dispensar a publicação dos editais em situações de urgência. Para isso, os noivos devem comprovar os motivos da urgência (como doenças graves, viagens, etc.) com documentos ou testemunhos. A aceitação depende do juiz de paz responsável. Quanto custa casar no civil? Os valores variam conforme o estado e o cartório. No estado de São Paulo, conforme tabela de emolumentos vigente em 2025, os custos aproximados são: Serviço Valor mínimo (R$) Habilitação e registro no cartório, exceto custos de editais R$ 559,97 Celebração fora da sede R$ 1.866,58 💡 Conferir atualizado em: https://www.arpensp.org.br/tabela-de-custas É possível fazer por procuração? Sim. Se representação por procuração, nela deverá constar a qualificação completa do procurador e dos pretendentes, bem como os nomes que passarão a usar após o casamento e o regime de bens. A procuração para celebrar o casamento terá validade de 90 dias e deverá ser pública. Conclusão O casamento civil é mais do que um rito formal — ele é um ato de segurança jurídica, que garante direitos e deveres fundamentais à vida em família. Embora o procedimento exija atenção e planejamento, segui-lo corretamente evita dores de cabeça e assegura a legalidade da união. Se você está planejando se casar, comece se informando no cartório do seu domicílio e organize os documentos com antecedência. Se restarem dúvidas ou se você deseja ajuda jurídica com pactos antenupciais ou planejamento familiar, conte com o suporte de um advogado especialista.

  • Dívidas do falecido: Quem paga? Entenda os limites da responsabilidade dos herdeiros

    Dívidas do falecido: Quem paga? Entenda os limites da responsabilidade dos herdeiros Uma das dúvidas mais comuns após o falecimento de uma pessoa é sobre a responsabilidade pelas dívidas que ela deixou. Herdeiros precisam pagar com o próprio dinheiro? Dívidas “passam” para os filhos ou cônjuge? A resposta exige uma análise jurídica baseada no direito das sucessões. Neste artigo, você vai entender como funciona a responsabilidade pelas dívidas do falecido, o papel do inventário e até onde vai a obrigação dos herdeiros. Princípio da saisine: o que significa? Com a morte, ocorre a chamada saisine, um princípio do direito sucessório segundo o qual a sucessão se abre automaticamente. Isso significa que todo o patrimônio do falecido — bens, direitos e também dívidas — é transmitido aos herdeiros legítimos ou testamentários. Art. 1.784 do Código Civil. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Esse patrimônio forma o que se chama de espólio. E é com os recursos do espólio que as dívidas deverão ser quitadas, respeitando os limites legais. Quem responde pelas dívidas do falecido? O responsável pelo pagamento das dívidas é o espólio , ou seja, o conjunto de bens deixado pelo falecido. Os herdeiros não respondem com seu próprio patrimônio pelas dívidas da pessoa falecida. A legislação brasileira é clara: a responsabilidade é limitada ao valor da herança. Em outras palavras: As dívidas devem ser pagas com os bens deixados pelo falecido; Os herdeiros só recebem a parte que sobrar após a quitação das obrigações; Se os bens forem insuficientes para quitar as dívidas, o restante não pode ser cobrado dos herdeiros. Portanto, ninguém “herda” dívidas no sentido de ter que pagar com recursos próprios. Art. 1.792 do Código Civil. O herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança; incumbe-lhe, porém, a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demostrando o valor dos bens herdados. O papel do inventário O inventário é o procedimento jurídico que tem por objetivo identificar todos os bens, direitos e dívidas da pessoa falecida. Com base nesse levantamento, são pagos os tributos, as despesas do funeral e as dívidas reconhecidas. Somente após essa etapa, e havendo saldo positivo, é feita a partilha entre os herdeiros. Se não houver bens a partilhar, mas existirem dívidas, essas deverão ser quitadas até o limite do patrimônio existente. Se não houver saldo suficiente, as dívidas remanescentes se extinguem pela insuficiência de bens no espólio. Leia também: Entenda Como Funciona o Inventário e Suas Modalidades E a legítima, como fica? A legítima corresponde a 50% do patrimônio do falecido , destinada aos herdeiros necessários (como filhos, pais e cônjuge). No entanto, esse cálculo só é feito após a apuração e quitação de todas as dívidas e despesas do espólio. A sequência correta é: Apuração de bens, dívidas e despesas do espólio; Pagamento de débitos e tributos; Cálculo da legítima; Partilha do que sobrar entre os herdeiros. Conclusão Os herdeiros não precisam temer o recebimento de uma herança com dívidas. A legislação brasileira protege o patrimônio pessoal dos herdeiros, limitando a responsabilidade ao valor da herança recebida. As dívidas deixadas são pagas com os bens do falecido, e o que sobra é dividido entre os herdeiros. Por isso, é essencial conduzir o inventário com responsabilidade, para que todas as obrigações sejam cumpridas e o processo sucessório seja finalizado com segurança jurídica.

  • Ritos Processuais do Inventário Judicial: Entenda as diferenças e escolha o caminho mais adequado

    Ritos Processuais do Inventário Judicial: Entenda as diferenças e escolha o caminho mais adequado Ao lidar com o falecimento de um ente querido, além do luto, é comum surgir a dúvida: “Como organizar a partilha dos bens deixados?” . A resposta passa pela escolha do tipo de inventário e do rito processual  mais adequado ao caso concreto. Neste artigo, você vai entender: Os tipos de inventário existentes no Brasil; As espécies de ritos judiciais e suas diferenças; Quando é possível optar pelo inventário extrajudicial; E qual procedimento é mais rápido, econômico e eficiente. Inventário Judicial e Extrajudicial: Qual a Diferença? O inventário  é o procedimento jurídico pelo qual se identificam os bens, dívidas e herdeiros de uma pessoa falecida, com o objetivo de partilhar esse patrimônio. Existem duas modalidades principais. O inventário extrajudicial realizado diretamente em cartório, por escritura pública. É o caminho mais rápido e menos burocrático, geralmente finalizado em poucas semanas. E o inventário judicial realizado perante um juiz. Nesse caso, o processo segue um dos ritos judiciais previstos no Código de Processo Civil , conforme as particularidades do caso. Leia também: Entenda Como Funciona o Inventário e Suas Modalidades Quais são os Ritos Processuais do Inventário Judicial? Os ritos processuais  são as formas como o inventário judicial se desenvolve. A escolha do rito depende do valor do patrimônio, da capacidade dos herdeiros e da existência (ou não) de litígios. Vejamos os três principais ritos processuais do inventário judicial: 1. Inventário pelo Rito Comum (Tradicional) – Arts. 610 a 658 do CPC É o mais completo — e, por isso, também o mais demorado . Deve ser adotado quando: O patrimônio deixado ultrapassa 1.000 salários mínimos ; Há menores, incapazes ou curadores envolvidos ; Existe litígio entre os herdeiros  ou discordância sobre a partilha. Etapas básicas do rito tradicional: Petição inicial requerendo a abertura do inventário; Nomeação do inventariante; Apresentação das primeiras declarações; Citação dos herdeiros e intimação da Fazenda Pública; Manifestação das partes; Últimas declarações; Cálculo do ITCMD; Apresentação do esboço de partilha; Sentença de homologação; Expedição do formal de partilha. Observação:  Apesar desse ser o “roteiro padrão”, o processo pode se arrastar por anos , especialmente quando há muitos bens ou disputas entre os herdeiros. 2. Arrolamento Comum – Arts. 664 e 665 do CPC Aplicável quando: O valor total dos bens é igual ou inferior a 1.000 salários mínimos ; Há consenso entre os herdeiros; Não há herdeiros incapazes. O arrolamento comum é mais simplificado , exigindo apenas a apresentação de uma declaração dos bens  e um plano de partilha  já acordado entre os herdeiros. A tramitação é mais rápida do que no rito tradicional. Art. 664 do Código de Processo Civil. Quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a 1.000 (mil) salários-mínimos, o inventário processar-se-á na forma de arrolamento, cabendo ao inventariante nomeado, independentemente de assinatura de termo de compromisso, apresentar, com suas declarações, a atribuição de valor aos bens do espólio e o plano da partilha. 3. Arrolamento Sumário – Art. 659 do CPC É o rito mais célere  dentro do inventário judicial. Pode ser adotado independentemente do valor dos bens , desde que: Todos os herdeiros sejam maiores e capazes ; Haja acordo sobre a partilha . Nesse caso, a partilha amigável será homologada de plano pelo juiz , sem necessidade de citação, impugnações ou outras etapas burocráticas. Importante:  O pagamento do ITCMD  pode ser feito apenas após a homologação da partilha , o que ajuda a aliviar o impacto financeiro durante o processo. Art. 659 do Código de Processo Civil. A partilha amigável, celebrada entre partes capazes, nos termos da lei, será homologada de plano pelo juiz, com observância dos arts. 660 a 663. Herdeiro Único: Quando cabe a Adjudicação? Se existir apenas um herdeiro  (por exemplo, um único filho ou cônjuge sobrevivente), o procedimento adequado é a adjudicação da herança . De acordo com o art. 659, §1º do CPC, basta que esse herdeiro: Requeira a abertura do inventário; Apresente a relação dos bens e obrigações; Solicite a adjudicação total do acervo. Após a análise, o juiz expedirá a carta de adjudicação , que substitui o formal de partilha para transferir os bens nos cartórios e registros competentes. E se só houver valores a receber? Se o falecido não deixou bens, mas apenas valores a receber  (como saldo bancário, FGTS, restituição de imposto, etc.), a via adequada pode ser o alvará judicial  — um procedimento mais simples e direto, usado apenas para liberar recursos específicos. Saiba mais: Alvará Judicial para Levantamento de Valores da Conta do Falecido: Quando é possível evitar o inventário? Conclusão: Cada caso exige o rito certo Escolher o rito processual adequado  ao inventário é essencial para garantir uma partilha mais rápida, econômica e eficaz. Enquanto o inventário extrajudicial é o preferido pela agilidade, os ritos judiciais ainda são necessários em diversos contextos. A recomendação é clara: conte com orientação jurídica especializada Um advogado pode analisar o seu caso, orientar sobre a melhor via e garantir que o patrimônio seja partilhado conforme a lei — evitando desgastes, custos excessivos e atrasos desnecessários .

  • Doação em Vida e Antecipação de Herança: O que você precisa saber para planejar seu patrimônio

    Doação em Vida e Antecipação de Herança: O que você precisa saber para planejar seu patrimônio A doação em vida é uma ferramenta poderosa dentro do planejamento patrimonial e sucessório , especialmente para quem deseja organizar a distribuição de seus bens com segurança, economia e tranquilidade — evitando conflitos familiares no futuro. Mas é preciso atenção: esse tipo de estratégia envolve regras jurídicas específicas que merecem ser compreendidas para não gerar problemas na hora do inventário. Neste artigo, você vai entender: O que é a doação de bens; Como funciona a antecipação da herança; A obrigatoriedade da colação; Regras para dispensar a colação; E os cuidados essenciais para proteger sua vontade e sua família. O que é doação? A doação é um contrato  em que uma pessoa transfere gratuitamente parte de seu patrimônio para outra . Pode ser feita por escritura pública (bens imóveis ou valores mais expressivos) ou instrumento particular (bens móveis ou valores menores). Ela pode ter finalidades diversas — como ajudar um filho financeiramente, garantir o bem-estar de um neto ou formalizar a partilha ainda em vida. Mas quando feita entre pais e filhos, ou entre cônjuges, ela pode configurar adiantamento da herança  e exigir cuidados extras. A doação em vida como forma de planejamento sucessório Doar em vida é uma das formas mais eficazes de planejar a sucessão patrimonial , evitando surpresas desagradáveis, disputas judiciais e longos inventários. Além disso, permite: Escolher quem receberá cada bem , conforme sua vontade; Garantir cláusulas de proteção, como inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade; Reduzir o patrimônio em vida, diminuindo a carga tributária futura no inventário ; Controlar e organizar a distribuição dos bens conforme critérios justos e previamente definidos. Mas atenção: ao doar bens aos herdeiros necessários (filhos, cônjuge), é preciso observar os limites legais para que a legítima  não seja violada — ou seja, os 50% do patrimônio que, por lei, pertencem aos herdeiros necessários e não podem ser doados livremente. ITCMD: o imposto que incide sobre doações e heranças Ao realizar uma doação, é necessário pagar o ITCMD – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação , cuja alíquota varia conforme o estado (em São Paulo, por exemplo, é fixa de 4%). Esse imposto deve ser pago no momento da doação, e não pode ser deixado para depois ou transferido ao inventário. Leia também: Planejamento Sucessório e Reforma Tributária: Entenda as mudanças no ITCMD Progressivo Doação em vida como antecipação de herança: quando configura? Quando a doação é feita de ascendente para descendente  (pais para filhos ou netos) ou de cônjuge para cônjuge , ela é considerada adiantamento da legítima ou antecipação da herança , segundo o artigo 544 do Código Civil. Isso significa que, no futuro inventário, o valor doado deverá ser levado à colação , ou seja, será abatido da parte que esse herdeiro teria direito. O objetivo é manter o equilíbrio e a igualdade entre os herdeiros, evitando que um receba mais que os outros de forma disfarçada. Art. 544 Código Civil . A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança. Quando é possível dispensar a colação? A colação pode ser dispensada  nas seguintes situações, desde que observadas as exigências legais: 1. Doação feita dentro da parte disponível (até 50% do patrimônio) Se, na data da doação , o bem transferido estiver dentro da parte disponível (ou seja, não ultrapassar 50%  do patrimônio total do doador), ele pode ser excluído da colação, desde que haja uma cláusula expressa  de dispensa na escritura pública de doação. Importante: o que importa é o patrimônio do doador no momento da doação , e não o que ele tinha no dia da morte. 2. Quando o beneficiário não era herdeiro necessário na data da doação Se a doação for feita a alguém que não era herdeiro necessário naquele momento , não há obrigação de colação. Exemplos: Doação feita ao neto quando ainda havia filhos vivos (os filhos herdam antes dos netos); Doação ao futuro cônjuge, quando ainda não havia casamento ou união estável reconhecida legalmente. Cuidado: nem todos devem colacionar! Embora a colação seja uma obrigação para manter o equilíbrio entre os herdeiros, nem todos estão obrigados a isso. Veja: Ascendentes não colacionam bens recebidos de seus descendentes; Disposições testamentárias não exigem colação — apenas doações configuram adiantamento da legítima; Quando há dispensa de colação , mas precisa estar formalizada e bem fundamentada para ter validade jurídica. Conclusão: Doar em vida é vantajoso, mas exige estratégia A doação em vida é, sem dúvida, uma excelente ferramenta de planejamento patrimonial e sucessório , especialmente para famílias com maior patrimônio. Mas é essencial observar: O limite da parte disponível (50%); A correta formalização em escritura pública ; O pagamento do ITCMD; E as regras sobre colação e herdeiros necessários. Com a orientação jurídica adequada, é possível antecipar a herança sem conflitos, garantindo economia, previsibilidade e proteção aos seus entes queridos. Quer saber se vale a pena doar um bem ainda em vida? Cada caso exige uma análise específica. Se você está pensando em antecipar a partilha de seus bens, procure orientação jurídica especializada para montar um planejamento sucessório sob medida para sua realidade.

  • Financiamento imobiliário: o que é, como funciona e quais cuidados tomar

    Financiamento imobiliário: o que é, como funciona e quais cuidados tomar Com certeza você já ouviu falar em imóvel financiado, não é? E provavelmente escutou opiniões divididas: alguns veem o financiamento como a realização do sonho da casa própria, outros como uma dívida de longo prazo que pode pesar no orçamento. Mas afinal, você sabe o que é exatamente o financiamento imobiliário, como ele funciona e quais cuidados são essenciais antes de assinar um contrato? Neste artigo, você vai entender tudo isso com clareza, objetividade e respaldo jurídico. O que é financiamento imobiliário? O financiamento imobiliário é um contrato pelo qual uma instituição financeira concede crédito a uma pessoa interessada na aquisição de um imóvel, seja ele residencial, comercial ou rural. Em termos simples: o banco paga o valor do imóvel e o comprador se compromete a devolver esse valor em parcelas mensais acrescidas de juros. Embora se assemelhe ao empréstimo, são contratos distintos. O empréstimo  é regido pelo Código Civil e pode ter uso livre. Já o financiamento imobiliário  tem normas específicas e exige que os recursos sejam usados exclusivamente na aquisição do imóvel, geralmente com garantia real. Modalidades de financiamento imobiliário Atualmente, os principais sistemas utilizados no Brasil são: 1. Sistema Financeiro de Habitação (SFH) Criado pela Lei nº 4.380/64  e regulamentando também pela Lei nº 8.004/90 , o SFH é o sistema mais tradicional e popular do país, voltado especialmente à aquisição da primeira moradia. Características principais: Taxas de juros mais baixas; Limites de valor para o imóvel; Possibilidade de utilização do FGTS; Exige comprovação de renda e análise de crédito; Programas de habitação popular, como o programa de habitação federal, o Minha Casa, Minha Vida operam dentro desse sistema. No Estado de São Paulo, por exemplo, a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano)  viabiliza habitação popular utilizando essa estrutura. O contrato firmado é um contrato de mútuo com garantia real , sendo o comprador denominado mutuário , e o agente financeiro, mutuante . 2. Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) Instituído pela Lei nº 9.514/97 , o SFI surgiu como alternativa ao SFH, com foco em imóveis de maior valor ou que não se enquadram nos critérios do SFH. Características principais: Menos restrições quanto ao valor do imóvel; Permite maior flexibilidade contratual; Taxas de juros geralmente maiores; Financiamentos com recursos livres (do próprio banco ou de mercado); Indicado para imóveis de padrão mais elevado ou investimentos. As garantias são frequentemente formalizadas por alienação fiduciária , regulada pela mesma Lei nº 9.514/97. As instituições autorizadas a operar nesse sistema incluem bancos, companhias hipotecárias, sociedades de crédito imobiliário, entre outras, conforme o art. 2º da lei mencionada. Outros tipos de financiamento Carteira Hipotecária É um modelo em que o banco utiliza recursos próprios, com condições mais livres. Os juros tendem a ser mais altos, e o imóvel serve como garantia por meio de hipoteca . Financiamento direto com a construtora Comum em imóveis na planta. O comprador paga parcelas durante a obra diretamente à construtora. Após o “habite-se”, pode quitar ou refinanciar o saldo com um banco. Atenção:  verifique a idoneidade da construtora, histórico judicial e cumpra diligências prévias para evitar problemas com atraso na entrega, falência ou descumprimento contratual. Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) Voltado a agricultores familiares, permite a aquisição de imóvel rural com condições subsidiadas, incluindo assistência técnica e investimentos na propriedade. Programa de Arrendamento Residencial (PAR) Funciona como um leasing: o imóvel é arrendado por determinado período e, ao final, o beneficiário pode optar pela compra. Quais são as garantias no financiamento imobiliário? As garantias existem para proteger o banco contra o risco de inadimplência. No financiamento imobiliário, o próprio imóvel é usado como garantia  da dívida. As formas mais comuns de garantia são: Hipoteca (uso menos comum atualmente); Alienação fiduciária de bem imóvel (a mais utilizada atualmente); Cessão ou caução de direitos creditórios ou aquisitivos . Alienação fiduciária: a principal garantia nos financiamentos A alienação fiduciária é hoje a forma mais comum de garantia nos contratos de financiamento imobiliário no Brasil. Como funciona: O comprador (fiduciante) transfere a instituição (fiduciário) a propriedade resolúvel  do imóvel; O comprador tem a posse direta  do imóvel e pode utilizá-lo normalmente; O banco mantém a propriedade indireta  até o pagamento integral da dívida. Em caso de inadimplência: O comprador é intimado via cartório  para quitar a dívida em até 15 dias; Se não houver pagamento, a propriedade é consolidada em nome do banco ; O imóvel pode ser levado a leilão  em até 60 dias, conforme previsto em lei. Após a quitação: O banco tem até 30 dias  para emitir o termo de quitação; Se não emitir, poderá ser multado em 0,5% ao mês  sobre o valor do contrato; Com o termo em mãos, o comprador pode registrar a liberação da garantia no cartório . Sistemas de amortização Os principais sistemas adotados no SFH e no SFI são: SAC (Sistema de Amortização Constante):  parcelas decrescentes, com amortização fixa e juros sobre saldo devedor. Tabela Price (ou Sistema Francês de Amortização):  parcelas fixas no início, com amortização crescente e juros decrescentes. SACRE:  combina SAC e Price, com prestações corrigidas gradualmente pela TR. Documentos necessários para solicitar um financiamento imobiliário Os documentos podem variar conforme a instituição financeira, mas geralmente são exigidos: Documentos pessoais (CPF, RG); Comprovante de residência; Certidão de casamento (se for o caso); Declaração de Imposto de Renda; Certidão negativa de débitos; Carteira de trabalho; Comprovante de renda (contracheque, imposto de renda ou pró-labore); Declaração do FGTS. Cuidados essenciais Leia o contrato com atenção: trata-se de um contrato de adesão  (art. 54 do CDC), e cláusulas abusivas podem ser questionadas; Compare ofertas entre diferentes agentes financeiros; Analise a taxa de juros, prazo, sistema de amortização e possibilidade de amortizações antecipadas; Não comprometa mais que 30% da renda mensal com a prestação inicial; Utilize o saldo do FGTS como entrada ou para amortizar o saldo devedor; Guarde todo material publicitário, principalmente em compras na planta (pode ser usado como prova em caso de descumprimento). Contrato de Gaveta: atenção redobrada Apesar de informalmente utilizados, os chamados contratos de gaveta  (em que o imóvel é repassado a terceiros sem alteração do titular do financiamento) trazem riscos jurídicos sérios, como: Perda do imóvel em caso de inadimplência ou falecimento do titular; Inviabilidade de defesa judicial sem legitimidade ativa; Complicações na regularização futura da propriedade. Ainda que tribunais e leis como a Lei nº 10.931/2004 tenham reconhecido algumas hipóteses, recomenda-se que qualquer cessão de direitos seja formalizada com a anuência do agente financeiro e respaldo jurídico. Conclusão O financiamento imobiliário pode ser a chave para conquistar a casa própria ou realizar um investimento seguro. Mas exige planejamento, conhecimento e cautela. Entender o sistema, comparar propostas, verificar garantias e contar com a orientação de um profissional especializado faz toda a diferença para evitar armadilhas e garantir segurança jurídica na operação. Se você está considerando financiar um imóvel, busque informações confiáveis, consulte um advogado e escolha a opção mais adequada ao seu perfil e realidade financeira.

  • Adoção: o que você precisa saber antes de começar

    Adoção: o que você precisa saber antes de começar A decisão de adotar uma criança ou adolescente é profundamente humana e transformadora. Mais do que um ato de amor, a adoção é também um instituto jurídico com regras, princípios e procedimentos próprios — e tudo isso existe para garantir o melhor interesse de quem mais importa nesse processo: o menor. Neste artigo, vou te explicar os conceitos fundamentais sobre a adoção, os direitos envolvidos e o que a lei prevê sobre o tema. Se você já está pensando em adotar e quer saber por onde começar, recomendo também a leitura do artigo Passo a passo da adoção , onde explico todas as etapas do processo. O que é a adoção? A adoção é uma forma de colocar uma criança ou adolescente em uma família substituta  de maneira definitiva, com a criação de um vínculo jurídico igual ao de um filho biológico. Ou seja, o adotado se torna filho para todos os efeitos legais, inclusive com direitos sucessórios (herança), e perde os vínculos com a família de origem, salvo os impedimentos para casamento. A adoção é irrevogável , personalíssima  (não pode ser feita por procuração) e só se concretiza por meio de sentença judicial . Por que a adoção existe? A base da adoção está no direito da criança e do adolescente à convivência familiar , previsto no artigo 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse direito deve ser, sempre que possível, garantido na família natural  (pais biológicos) ou, quando isso não é viável, na família extensa  (avós, tios, irmãos). Somente em último caso , quando não há como manter esse vínculo, é que se busca uma família substituta, por meio da guarda, tutela ou adoção. Esse é o chamado princípio do melhor interesse da criança e do adolescente , que orienta todas as decisões judiciais sobre o tema. Quais são as formas de colocação em família substituta? Existem três modalidades jurídicas para incluir um menor em uma nova estrutura familiar: Guarda : geralmente provisória, usada em casos emergenciais ou durante o processo de adoção. Tutela : aplicável em situações específicas, como quando os pais faleceram e a criança é colocada sob responsabilidade de um parente. Adoção : definitiva, cria vínculo de filiação e extingue os vínculos anteriores. Quando a adoção é possível? A adoção só deve ser considerada quando estiver esgotada a possibilidade de permanência na família natural ou extensa . Antes disso, são tentadas outras alternativas, como: Reintegração à família natural Colocação com a família extensa  (por exemplo, com os avós) Acolhimento institucional ou familiar , que deve durar o mínimo tempo possível A lei determina que a colocação em família substituta, especialmente por adoção, requer procedimento judicial , preparação da criança ou adolescente e acompanhamento posterior (art. 28, §5º e art. 166, §7º do ECA). O que diz a lei sobre a adoção? Algumas regras importantes: Consentimento da criança : se tiver mais de 12 anos , o menor precisa concordar com a adoção em audiência. Se for menor de 12, dependerá do seu grau de discernimento e da avaliação da equipe técnica. Consentimento dos pais biológicos : é necessário, salvo se forem desconhecidos ou tiverem sido destituídos do poder familiar . Manutenção de vínculos entre irmãos : a preferência é sempre que irmãos sejam adotados juntos . Quando isso não for possível, deve-se buscar famílias próximas para preservar o vínculo entre eles. Respeito à origem cultural : no caso de crianças indígenas ou de comunidades quilombolas , devem ser respeitadas as tradições, costumes e identidade da criança. A prioridade é que permaneçam em sua comunidade ou com membros dela. Adoção por estrangeiros : somente é permitida na modalidade de adoção , não sendo possível por guarda ou tutela. A adoção é um processo que exige responsabilidade A adoção vai além do desejo de ser pai ou mãe: trata-se de um compromisso afetivo e legal para toda a vida . Ela envolve preparo emocional, avaliação judicial e o respeito aos direitos da criança ou adolescente, que são os verdadeiros protagonistas desse processo. Se você quer saber quais são as etapas do processo de adoção no Brasil , desde o cadastro até a sentença judicial, acesse o artigo: Adoção de Crianças no Brasil: Passo a Passo do Processo de Adoção . Se você deseja adotar, busque orientação jurídica adequada para compreender todas as etapas do processo e garantir que esse gesto de amor seja realizado de maneira segura e responsável. Caso tenha dúvidas sobre o processo de adoção, entre em contato!

  • Venda de imóvel herdado: é possível? Entenda a cessão de direitos hereditários

    Venda de imóvel herdado: é possível? Entenda a cessão de direitos hereditários Receber um imóvel de herança pode parecer algo simples, mas a realidade é que a venda desse bem antes da conclusão do inventário envolve diversas regras jurídicas. Afinal, o herdeiro ainda não é, formalmente, o dono do imóvel – ele é apenas um titular de direitos hereditários. Neste artigo, explico as possibilidades, os cuidados e os caminhos legais para quem deseja vender um bem herdado ainda durante o inventário. O que são direitos hereditários? Após o falecimento, os bens deixados integram o chamado espólio. Os herdeiros, nesse momento, ainda não são proprietários dos bens específicos, mas titulares de uma fração da herança — chamada de quinhão hereditário . Enquanto o inventário não termina, o que se pode ceder (ou vender) são os direitos hereditários, e não os bens individualmente. O que o herdeiro transfere é a posse do que deveria ser sua para a outra pessoa, no caso o direito. Essa cessão deve ser feita por escritura pública e pode ocorrer antes ou durante o inventário, seja judicial ou extrajudicial. Cessão de direitos hereditários: como funciona? A cessão pode ser: Gratuita, como uma doação (tributada com ITCMD ) Onerosa, como uma compra e venda (sujeita ao ITBI) Com a cessão, há a incidência de dois tributos: Primeiro, a transmissão dos bens ao herdeiro (ITCMD); Depois, a transferência ao cessionário (ITCMD ou ITBI, conforme o caso). Contudo, não é admitida a venda de um bem específico do espólio por um único herdeiro. Se isso for feito, a cessão será considerada ineficaz em relação aos demais herdeiros. E se todos os herdeiros concordarem com a venda do imóvel herdado? Se houver concordância de todos os herdeiros, é possível ceder um bem específico do espólio — como um imóvel — desde que: Não haja prejuízo a credores; Seja lavrada uma escritura pública com a assinatura de todos os herdeiros; O cessionário (comprador) ingresse no inventário para obter o formal de partilha e registrar o imóvel. Mas, e o alvará judicial? O alvará judicial é uma autorização do juiz para realizar determinado ato, como, por exemplo, a venda de um bem do espólio. Ele costuma ser utilizado quando há concordância de todos os herdeiros. Nesse caso, em vez de realizar a cessão de direitos hereditários, os herdeiros podem, nos autos do inventário, apresentar um documento com: O interesse em vender o bem; O compromisso do inventariante de levar esse pedido ao processo; A solicitação de autorização judicial para a venda. Com a aprovação do juiz, será expedido um alvará judicial, permitindo que o inventariante assine a escritura e o bem seja legalmente transferido. Posso fazer um contrato de compra e venda? Não. O contrato de compra e venda só é cabível após a partilha, quando o herdeiro já se tornou proprietário ou coproprietário do bem. Antes disso, o correto é formalizar a transação por meio de cessão de direitos hereditários onerosa. Conclusão A venda de um imóvel herdado antes do fim do inventário é possível, mas exige planejamento jurídico, concordância dos herdeiros, e, muitas vezes, autorização judicial. Agir de forma precipitada pode tornar o negócio ineficaz ou até mesmo nulo. Se você está nessa situação, busque orientação jurídica especializada para encontrar o caminho mais adequado e seguro para todos os envolvidos.

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